01/07/2010
Ponta Grossa - Uma discussão em âmbito mundial chega ao país e leva o Conselho Federal de Medicina (CFM) a buscar formas de intervir na relação entre médicos e a indústria farmacêutica. Há muitos anos os médicos participam de congressos com custos bancados por fabricantes de medicamentos. Em troca, muitos profissionais acabam receitando os remédios do laboratório patrocinador a seus pacientes. Para tornar a relação mais ética, o CFM está formulando um protocolo a fim de evitar excessos.
As atualizações do Código de Ética Médica, em abril, trazem a discussão de uma série de questões sobre o exercício da medicina, incluindo a postura do médico frente às pressões da indústria. Além de uma boa relação com o paciente, as escolhas corretas no tratamento dependem também da atualização constante do conhecimento médico. Para manter-se em dia com os avanços de técnicas e medicamentos, os médicos contam com os congressos.
O CFM está propondo a restrição de patrocínio apenas para médicos que forem ministrar cursos e palestras em eventos, e a proibição de brindes aos profissionais. “Não pode haver nenhuma prescrição ou indicação médica em benevolência a agrados ou brindes”, disse o presidente do CFM, Roberto Luiz d’Avila, por meio de sua assessoria de imprensa. O protocolo tenta aperfeiçoar o que o Código de Ética Médica já prevê. Há pouco tempo, também foi aprovada uma resolução que proíbe o fornecimento de cupons e cartões de desconto em medicamentos pelos médicos em seus consultórios.
Para o presidente da Associação Médica de Ponta Grossa, o ginecologista Gilmar Nascimento, a norma pode reduzir a participação de médicos em congressos, já que a remuneração do médico tem passado por uma redução histórica. O diretor da Associação Médica do Paraná, o pediatra Gilberto Pascolat, acredita que deve haver uma regulação, mas que a realização de jornadas, por exemplo, fica inviável sem o patrocínio da indústria farmacêutica. Nascimento acrescenta que as associações não têm caixa para isso. O oncologista e professor Cícero Urban é favorável à regulação, lembrando que a discussão também ocorre na Europa. Ele analisa ainda que os valores dos patrocínios acabam sendo repassados aos preços dos medicamentos.
O presidente do CFM também cita o prejuízo causado pelo marketing da indústria farmacêutica, já que os laboratórios gastam até 30% do preço do remédio com a sua própria propaganda. Em nota, a Associação dos Laboratórios Farmacêuticos Nacionais opinou: “Não acreditamos que uma empresa use o poderio econômico para subornar médicos, e nem que os profissionais aceitem isso.”
Publicado em 01/07/2010 | Maria Gizele da Silva, da sucursal com colaboração de Cecilia Valenza
Fonte: Gazeta do Povo
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