11/02/2010
A Fundação Procon de São Paulo, em parceria com a Secretaria de Estado da Saúde, elaborou um estudo inédito sobre os preços dos medicamentos na cidade de São Paulo.
Com a pesquisa, pôde-se constatar que há grande diferença de preços entre medicamentos – seja de uma loja à outra, seja na comparação entre a referência e o genérico equivalente. O levantamento, referente ao primeiro bimestre de 2010, revela que a diferença de itens semelhantes pode chegar a 1.400%.
No total, a pesquisa envolveu 103 itens (62 de referência e 41 genéricos), em 15 estabelecimentos farmacêuticos distribuídos pelas cinco regiões da cidade de São Paulo.
“Os resultados do levantamento mostram ao consumidor que a pesquisa de preço é fundamental antes da compra de medicamentos, pois os valores dos produtos podem ter variações consideráveis de um estabelecimento para outro, inclusive por ocasião de descontos especiais e promoções”, especifica a Secretaria de Estado da Saúde.
Na comparação entre preços de medicamentos de referência e genéricos, observa-se que a diferença pode ser exorbitante. Por serem produzidos por diversos laboratórios, os medicamentos genéricos são, em geral, mais baratos. Mas é bom lembrar que um mesmo ‘genérico’ pode apresentar preços diferentes.
‘CONTESTO’
A Associação Brasileira de Farmácias e Drogarias (Abrafarm) contestou o estudo.
“Os números divulgados, que à primeira vista parecem uma enorme distorção, apresentam infelizmente muitas inconsistências", afirmou o presidente executivo da entidade, Sergio Mena Barreto, em nota divulgada na terça-feira, pela Folha Online.
Segundo a associação, um levantamento realizado entre 15 e 16 horas de anteontem indicou várias ‘inconsistências’ nos preços apontados pela pesquisa do Procon, em parceria com a Secretária de Saúde de São Paulo.
A diretoria da Abrafarma alega que a checagem dos preços foi realizada por meio de telefonemas às farmácias e consultas a sites da maioria das empresas citadas nas pesquisas.
Um dos exemplos citados é o caso do medicamento Hidantal (Fenitoína), para o qual a pesquisa do Procon apontou variação de 910% nos preços praticados (entre R$ 4,04 e R$ 0,40 para a caixa de 100 mg e 25 comprimidos).
“Em uma consulta rápida ao site da Farmalife, empresa apontada como tendo o menor preço, encontramos preço mínimo de R$ 2,45, e não R$ 0,40, como apontado na pesquisa”.
EM CATANDUVA
A reportagem de O Regional listou seis medicamentos bastante comuns nas residências dos brasileiros – ou mais conhecidos – e entrou em contato com três farmácias da cidade para saber como ‘andam’ os preços. Além dos preços dos medicamentos éticos (ou de referência), foram solicitados também dos genéricos. Confira!
- Medicamento: Amoxil
Apresentação: 500 mg – 21 comprimidos
Preços: nos três estabelecimentos, o valor informado foi de R$ 46,92
Genéricos: variou entre R$ 8,80 a R$ 22
- Medicamento: Capotem
Apresentação: 20 mg – 28 comprimidos
Preços: nos três estabelecimentos, o valor informado foi de R$ 41,74
Genéricos (com 30 cápsulas): variou entre R$ 17,49 a R$ 19,30
- Medicamento: Fenergan
Apresentação: 25 mg – 20 comprimidos
Preços: nos três estabelecimentos, o valor informado foi de R$ 7,59
Genéricos: variou entre R$ 4,93 a R$ 5,13
- Medicamento: Valium
Apresentação: 10 mg – 20 comprimidos
Preços: nos três estabelecimentos, o valor informado foi de R$ 9,05
Genéricos: variou entre R$ 5,40 a R$ 5,68
- Medicamento: Novalgina
Apresentação: gotas
Preços: nos três estabelecimentos, o valor informado foi de R$ 12,92
Genéricos: variou entre R$ 5,90 a R$ 6,72
- Medicamento: Tylenol
Apresentação: gotas
Preços: nos três estabelecimentos, o valor informado foi de R$ 14,60
Genéricos: variou entre R$ 5,30 a R4 8,74
EXPLICAÇÃO
De acordo com os estabelecimentos visitados, todo ano, é publicado no Diário Oficial da União o índice de reajuste dos medicamentos – que leva em consideração o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
A partir daí, revistas especializadas divulgam os valores de referência dos medicamentos, o que faz com que os mesmos tenham preços parecidos. Com os genéricos, a diferença de preço acontece, justamente, pela quantidade de laboratórios existentes no País e, cada um, estabelece um preço.
Fonte: O Original
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